Sábado, 2 de Junho de 2007

Ai...Buzinão...Buzinão

Começamos hoje com uma celebérrima estrofe de uma cantiga portuguesa, no original interpretada por Milú no filme “O Costa do Castelo”, e muitos anos depois recriada pelos “Xutos e Pontapés”:

 

“Que saudades que eu já tinha

  Da minha alegre casinha

  Tão modesta como eu”

 

Este é um país de folclores a torto e a direito.

E agora sou eu quem diz:

 

-Que saudades que eu já tinha

  De um BUZINÃO na Ponte!

 

Realmente, se não fosse o buzinão, o que seria de Portugal?

 

O buzinão celebrizou-se nos tempos do cavaquismo, quando uns senhores, políticos muito bem situados na praça, resolveram ser anti portagens.

E vai daí, vamos de protestar para não pagar, e atravessar a ponte sem parar, a fazer um buzinão, último grito da oposição.

Alguns dos apoiantes dessa iniciativa estavam na altura na oposição, e curiosamente estão hoje no poder.

Não sei mesmo, mas para o caso até nem tem importância nenhuma, se o actual Ministro das Obras Públicas não terá participado no célebre buzinão na ponte nos tempos em que Cavaco era Primeiro Ministro.

A coisa meteu cargas policiais e afins, e até terminou mal com consequências nefastas para um jovem que se encontrava numa das elevações sobranceiras à praça da portagem.

 

Seja como for sugiro que se institua o buzinão.

 

O Parlamento deveria tentar obter imediatamente poderes de revisão constitucional de modo a que a nossa Constituição passasse a consagrar, no capítulo dos Direitos, Liberdades e Garantias, não só o Direito à Indignação, mas também, e muito principalmente, o Direito ao Buzinão.

Poderia ser mais ou menos assim:

 

“É reconhecido a todos os cidadãos o direito de protestarem publicamente contra qualquer medida ou frase impopular, tidas por gravosas ou ofensivas dos seus mais elementares direitos, devendo exercer tal protesto através de um buzinão.

O exercício de tal direito pressupõe a travessia obrigatória da Ponte 25 de Abril a buzinar, devendo cada cidadão participante no protesto usar a sua própria buzina”.

 

Ora…vem isto a propósito de quê?

Segundo vários jornais, a AUP25, isto é, a Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril, vai promover um buzinão em protesto contra as famosas declarações de Mário Lino, ao dizer que a margem sul do Tejo é um deserto.

 

Tais declarações são consideradas ofensivas pelas gentes que moram na margem sul, e que diariamente atravessam a dita ponte.

 

Muito bem…assim vale a pena promover a cidadania.

Ironia das ironias…Mário Lino alvo de um buzinão, hem?

 

Só tenho pena da própria Ponte que, coitada, não tendo nada a ver com isto, vai ter de gramar outra vez aquele barulhão todo com as buzinadelas de uns tantos.

 

Já não bastava o Ministro ter reiventado o mapa de Portugal, segundo agora corre na Net.

O homem é um génio.

Conseguiu ressuscitar o buzinão.

Acho que ele devia era ser condecorado com uma medalha.

Já agora, uma medalha em forma de buzina.

 

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:19

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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Bento XVI

Acordo histórico?

Desejo veementemente que sim.

Bento XVI terá conseguido um primeiro passo fundamental para afirmar o valor de uma diplomacia séria do Vaticano, tendo como parceiro os Emiratos Árabes Unidos (EAU), estando criadas as condições para a troca de embaixadas entre os dois Estados.

 

Estamos a falar de um país islâmico onde, ao que se sabe, existe um reduzido número de católicos, aos quais tem sido vedado o culto público da sua fé, tendo apenas em todo o país meia dúzia de templos cristãos, e onde também tem sido proibido o uso ou exibição de símbolos da fé cristã, mesmo à porta dos próprios templos.

 

Isto significa que, pelo menos até agora, ser-se católico nos EAU tem sido  viver, religiosamente falando, na clandestinidade.

 

Das notícias apuradas sobre tal assunto não se infere com total clareza se vai ser reconhecida naquele país a total liberdade de culto.

 

Admitindo que o acordo agora firmado vai abrir as portas a um diálogo ecuménico sem restrições, permito-me no entanto questionar o seguinte:

 

-Bento XVI está a demonstrar ser um Papa político.

E num sentido e com alcance muito positivos, talvez menos popular e aberto se comparado com João Paulo II, mas por outro lado mais discreto e simultaneamente mais firme.

 

Estando a cultura ocidental fortemente ligada ao Cristianismo, e sendo eu aberto defensor da liberdade religiosa, como aliàs já aqui manifestei em diferentes ocasiões, sem deixar, quando é o caso, de expor as minhas discordâncias a algumas tentações de fundamentalismo católico, e orgulhando-me de pertencer a uma civilização onde ninguém é perseguido e castigado por professar a religião A ou B, temo que o Acordo Diplomático agora anunciado não passe do mero plano das boas intenções, limitando-se à troca de embaixadas e a simples reuniões de gabinete, permitindo até que no futuro tal Acordo se estenda a outros Estados Árabes.

 

Espero que o meu receio seja completamente infundado, e que o entusiasmo, moderado ainda, venha a ampliar-se com o tempo.

 

Convém, em todo o caso, manter por enquanto alguma reserva.

O fundamentalismo islâmico tem tido manifestações agressivas, e não é fácil mudar hábitos de um dia para o outro, passando da praticamente total rejeição para uma total tolerância.

 

Em todo o caso é de manter a esperança, e saudar efusivamente o tacto político e sobretudo estratégico de Bento XVI que, lentamente vai ganhando pontos no plano internacional, impondo quase de modo insensível, o seu próprio estilo.

 

São pequenos indícios que parecem garantir a possibilidade de avanços significativos no caminho da paz e convivência entre civilizações.

 

Vai sendo tempo de se concretizar tal objectivo.

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:03

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