Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

"Painel Vazio"

Convém uma vez por outra transcrever pequenas citações que correspondem a verdadeiros mimos de cultura política e social de muitas das nossas figuras mais conhecidas.

É um pequeno exercício de apuramento de sensibilidades, sem qualquer espécie de segunda intenção, mas que é um bom espelho do país e sociedade que temos, e que vem retratado em alguns jornais.

Não sendo exaustiva, nem tendo a pretensão de ser absoluta, esta relação de frases é, pelo menos, um painel.

Consoante os gostos, será positivo.

Pessoalmente afigura-se mais como um “Painel Vazio”.

Vamos a isto:

“Estamos num sistema de ensino faz de conta, onde o verbo examinar é disfarçado, o verbo passar é disfarçado, o verbo chumbar desapareceu e agora errar também é indiferente.”

(Paulo Portas)

 

“Espero que a Presidência portuguesa da UE nos ajude a adoptar o código de conduta para a venda de armas”

 

(Jakob Kellenberger, Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha)

 

 

“Marcámos um greve de 24 horas e não vemos motivo para garantir serviços mínimos. Caso contrário, teria de haver serviços mínimos aos domingos e feriados.”

 

 (Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais)

 

 

“Portugal faz tudo mal como sempre. Mas depois, sem saber como, safa-se.”

(João César das Neves)

 

“Retiro o que disse. Não tenho por hábito ofender ninguém e cheguei à conclusão de que usei termos exagerados e até ofensivos para tratar uma situação com a qual, no entanto, continuo a não concordar”.

 (Pedro Santana Lopes)

 

“Não respondo a folclore.”

  (Margarida Moreira, Directora da DREN)

 

 

“Convosco a sociedade portuguesa será mais justa, mais pobre… perdão, mais solidária”.

  (José Sócrates, durante a cerimónia de boas vindas, organizada pelo Governo, aos 324 estrangeiros que conseguiram a nacionalidade portuguesa)

 

 

A pessoa que mais me influenciou foi João XXIII”

 (Helena Roseta)

 

 

Com isto ficamos a saber, pelo menos, que temos um “painel” para admirar.

Ou para analisar.

Ou para divertir.

 

Somos pobres?

Mas somos “fantásticos”.

 

Como diz um anúncio publicitário: "Há coisas fantásticas, não há?"

Ocorre-me um filme notável, que também poderia servir de título ao artigo de hoje.

Chamava-se “A Grande Paródia”.

 

 

A propósito de Filmes, não perder hoje A Ficção Que Realizamos em “Concreto e Imaginário”.

 

 

 

 

 



 

 

 

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:02

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Violinos...e Violinos, e "O Violino de Viena"

Integralmente transcrito do “Correio da Manhã”:

 

“Um valioso e raro violino ‘Stradivarius', uma das marcas mais famosas de instrumentos de corda, avaliado em 2,5 milhões de euros, foi roubado no fim-de-semana passado da residência de um músico austríaco em pleno centro de Viena”.

 

Anda tudo doido.

Há lá direito de roubar um violino a um músico?

Ainda por cima um Stradivarius?

 

Antes de continuar repare-se no seguinte:

“Há lá” escreve-se assim, com “H”.

Mas se o “H” lá não estivesse lia-se na mesma.

Álá direito…”, Álá.

 

Pois…

Só que ainda iriam pensar que o autor deste texto, que por acaso, sou eu, é árabe.

 

Nada de modernices ortográficas.

O “H” está lá, e está muito bem.

Eu escrevi “Agá”.

E ainda tem a consoante “Ele”.

Bem…mais parece o pronome pessoal - "Êle".

É melhor dar-lhe a forma afrancesada.

Fica “Elle”.

Portanto…”Há lá…” tem a vogal “A” e as consoantes “Agá” e “Elle”.

Fica muito mais giro.

 

Mas…retomando…

Roubar um violino a um músico é parecido com tirar dinheiro a um banqueiro, ou o apito a um árbitro, ou a chave de fendas a Mário Lino.

Parece que o homem é mesmo bom com uma chave de fendas na mão.

Disse quem o conhece bem.

Era ele presidente de uma empresa qualquer, antes de ser ministro, e foi ele próprio armado de chave de fendas tentar fazer uma reparação a uma máquina que estava avariada.

Grande presidente.

A sorte é que está interdita a caça aos camelos.

Senão, em vez de Mário, seria Paulino (isto é, um Lino com um pau), e ei-lo a tocar ao de leve no camelo para atravessar mais depressa as areias do deserto ao sul do Tejo.

 

Ah…mas isto é sério.

O homem vai falar sobre esta coisa no Parlamento, a pedido do PSD, e na Comissão de Obras Públicas.

Consta que nesse dia dispensará o motorista, e aparecerá na Assembleia da República montado num camelo.

 

Mas há mais…

Também a senhora Ministra da Educação terá de ir explicar-se na Comissão Parlamentar de Educação, acerca do caso do professor Charrua.

Desta vez a pedido do CDS.

 

Também ela, ao que consta, dispensará o transporte oficial, e deslocar-se-à de “charrua”.

Mas só depois de concluído o processo disciplinar que actualmente decorre contra o referido professor.

 

Enquanto isto não acontece, faço votos que apareça o violino de Viena, mas, por muito valioso que seja, não tem decerto nada a ver com o “Violino de Viena de 1987”.

Passaram já 20 anos, e foi comemorado no passado domingo no Estádio do Dragão.

O “Violino de Viena de 1987” é uma obra de arte imortal.

Foi o célebre golo de calcanhar de Madjer, na primeira grande vitória internacional do Futebol Clube do Porto.

O que é um Stradivarius qualquer ao pé disto?

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:32

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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Há Que Pedir Desculpas Ao Senhor Ministro

I

Exactamente!

Todos aqueles que têm posto em causa as teses de Mário Lino, incluindo eu próprio, devemos-lhe um pedido de desculpas.

O homem está carregado de razão, não há lugar a discussões, aeroporto na Ota, e ponto final.

É que…quanto à margem sul…

Eu vi lá um camelo.

Juro que vi.

Claro, vi na televisão, mas segundo todos diziam aquilo passava-se na região de Setúbal, ou de Almada, ou de Palmela, ou de outro sítio qualquer da margem sul.

Eu vi lá um camelo, a comer ervas e tudo, e vi também um cartaz com um camelo cor de rosa, nitidamente indiciador que devem existir por ali mais camelos.

Ora…

Se há camelos na margem sul…

A conclusão é só uma:

-A margem sul é um deserto.

 

Que descaramento, falta de seriedade, má-fé, de todos os que duvidaram da palavra de Mário Lino.

Ele ia lá inventar uma coisa dessas…

Se ele disse que aquilo é um deserto, é porque sim, é mesmo, não há que duvidar.

Até porque, um ministro não mente, não se engana, não anda por aí a inventar desertos porque lhe dá na bolha.

 

II

Aquilo que parecia um encontro impossível, e ao qual me referi há uns tempos, entre uma delegação do Irão e outra dos EUA para discutir a situação no Iraque, ocorreu mesmo.

Foi ontem, em Bagdad.

E segundo dizem os jornais correu muito bem.

De resto, foi o próprio embaixador iraniano que disse:

 

“De uma forma geral, podemos dizer que a primeira negociação teve resultados positivos";

 

E disse mais:

“O encontro de hoje representa um primeiro passo entre as duas partes".

 “O governo do Iraque já convidou os representantes dos dois países a regressar à mesa de negociações”

 

Quanto ao embaixador americano limitou-se a dizer:

 

“No encontro de hoje não houve lugar para a questão do programa nuclear iraniano.As duas partes têm o mesmo ponto de vista no que respeita aos desafios a enfrentar e resolver no Iraque”.


Quem diria?

 

Depois vêm essas más línguas desacreditar a política e provocar o mal estar entre os povos.

 

Salvo alguns acidentes de percurso, Americanos e Iranianos sempre se deram bem.

 

Ah…e não esquecer, que é mesmo muito importante…

 

Lá para aqueles lados parece que também há desertos e camelos.

 

O bom gosto recomenda “A Muralha” às terças-feiras.

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:02

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

"As Mudanças Do Mundo"

Ora aí está. O que é preciso é ter jeito para emendar a mão, se for preciso, também o pé, e já agora a cabeça.

Tenho uma vaga impressão que a grande frase que está a fazer escola nos tempos que correm tem muito a ver com as conveniências políticas e pouco a ver com a realidade.

É sabido que as sociedades evoluem, as circunstancias vão-se alterando, uma espécie de permanente insatisfação do ser humano obriga muitas vezes a reiventar o que já está inventado, assim a modos como se apenas agora se tivesse descoberto a roda.

E de vez em quando, para tentar explicar o aparentemente inexplicável, usam-se expressões ou frases fetiche, daquelas que pelo menos por uns momentos deixam o interlocutor incrédulo e sem resposta.

A frase da moda é: “O mundo mudou”.

E no meio de um discurso, entrevista ou debate, se alguém é colocado perante uma eventual contradição de posições, atira-se estilo xeque-mate: “O mundo mudou”.

Claro que mudou! Muda todos os dias!

Sem muitas vezes nos apercebermos todas as coisas mudam, evoluem, transformam-se, umas vezes para bem da humanidade, outras, infelizmente, nem por isso.

Só que, perdoem-me a franqueza, as mudanças do mundo, sejam no plano político, social, estético, artístico, o que se quiser, e salvaguardadas algumas situações absolutamente excepcionais, não provocam só por si uma radical alteração de princípios, fazendo com que alguém ataque hoje o que defendia ontem, ou vice-versa.

Aliàs o nosso povo tem uma recorrente dificuldade em entender estas frequentes “mudanças de campo”, e, se estamos a falar de políticos, normalmente penaliza-os nas eleições, colando-lhes o célebre rótulo do “camaleão”.

 

Vem isto a propósito de uma entrevista concedida por Luís Nobre Guedes (ao que se percebe, de novo o número dois do CDS) ao jornal “Expresso”.

O próprio título que retrata o novo pensamento político, económico e social de Nobre Guedes, e que encabeça a entrevista é sugestivo:

-“Em Portugal uma concepção liberal seria uma catástrofe social”.

Em dado passo da entrevista o jornalista confronta Nobre Guedes com a mudança do seu pensamento liberal de há cerca de vinte anos perguntando concretamente o seguinte:

 

Porque é que um liberal há vinte anos sente que hoje o liberalismo já não é solução?

 

A resposta é exemplar:

Porque o mundo mudou. Hoje há um fenómeno de globalização completamente incontornável e houve fenómenos que vão ao arrepio daquilo que se pensava que pudesse ser a evolução da sociedade. Hoje há mais ricos e há mais pobres. Há um fosso maior entre ricos e pobres, entre países ricos e pobres. Há uma ideologização do sucesso pelo sucesso, de que o dinheiro é o único valor, coisas com as quais eu não posso concordar.

 

Contrapõe o jornalista:

Normalmente quem diz isso é quem teve sucesso e tem dinheiro…

Responde Nobre Guedes:

Normalmente quem tem este discurso é a esquerda. Eu ouvi Mário Soares dizer isto no discurso dos 34 anos do PS – que não se podia rever numa sociedade assim em que o dinheiro é que comanda e motiva as pessoas. Eu concordo com ele.

 

Melhor ainda:

O PS “está mais liberto” dos interesses do que o PSD e, “por isso, governa melhor”

 

E a grande pérola:

A direita não tem tido uma preocupação solidária, muitas vezes tem uma atitude anti-social; tem sido muitas vezes avessa à modernidade; e muitas vezes não é tolerante. Eu não me identifico com esse tipo de atitude da direita. Por exemplo, tenho dificuldade em aceitar algo como o Compromisso Portugal. É uma visão da sociedade de quem não anda com os pés assentes na terra.

 

Bravo!

Assim fica tudo muito mais claro, e melhor se percebe a recente reviravolta no CDS. É preciso tentar reganhar espaço político a qualquer preço.

É que de facto há vinte anos Nobre Guedes e a aparentemente renovada linha de orientação do partido deviam andar distraídos.

Não viam já nessa altura o caminho acelerado da sociedade para a globalização.

Não viam o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, entre países ricos e países pobres.

Bem…e quanto a Mário Soares…esse provavelmente não via mesmo nada…acredite nisso quem quiser.

 

Onde isto me incomoda é apenas no retratar de uma atitude de mero oportunismo político, fragilizando a chamada direita, retirando-lhe os sinais e marcas claramente distintivas de uma outra forma de conceber a sociedade e o mundo.

 

O CDS já foi em tempos o “partido do táxi”.

Começa a parecer-me que, com o regresso desta sua clique dirigente, revista e recauchutada, vai tornar-se uma espécie de “partido coca-cola”.

Mas, atenção, só de “coca-cola light” ou “coca-cola zero”.

É que a original coca-cola é capaz de ser forte demais.

Assim a modos de quem tenta confundir um copo de vinho tinto com uma meia de leite.

Antes que apanhem alguma azia, talvez seja melhor ficarem pela água mineral.

Que lhes faça muito bom proveito.

Segunda-Feira: É dia de "O Tripé".

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:01

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Domingo, 27 de Maio de 2007

"Não Devo Ter Percebido Bem..."

A história desta vez passa-se no Algarve, e vem relatada no “Expresso”.

Cacela Velha é uma povoação do concelho de Vila Real de Santo António, onde existe na zona protegida da Ria Formosa, uma muralha islâmica, do tempo da ocupação árabe, e que está classificada desde 1996 como “Imóvel de Interesse Público”.

Traduzindo isto para uma versão mais corriqueira, estamos a falar de uma construção histórica que, e tal não vem agora ao caso, sendo de origem árabe está em território português e constitui testemunho indiscutível de uma parte da nossa História.

O que se percebe – mas quase de certeza fui eu que não percebi como deveria – é que, apesar de tudo isto, aqui há alguns anos, e até parece que em momento posterior à classificação da dita muralha, a Câmara terá concedido um licenciamento para construção no local de uma moradia privada composta de dois pisos e uma cave.

Olha-se para a foto que vem no “Expresso” e percebe-se bem o interesse.

A referida muralha tem uma localização privilegiada sobre a Ria.

Não haveria problema algum se não se desse o caso de a licença concedida implicar a demolição de uma parte considerável do monumento.

Bem entendido, percebe-se que o licenciamento foi autorizado sob condição.

É que o Instituto de Arqueologia, mais o Instituto do Património, e mais não sei quantos a seguir, andavam a promover escavações no local, e havia a forte possibilidade de virem a encontrar-se vestígios importantes, e mesmo construções efectivas de casas árabes soterradas no local.

Ora, se tal viesse a verificar-se, ao que se entende, o licenciamento privado ficaria sem efeito.

Não senhor…

De facto foram encontradas as tais construções.

Mas, o proprietário (presumo que do terreno) privado, compromete-se a preservar a parte que interessa  - deve ser a parte com valor histórico – da muralha, mas derruba o restante.

E agora pende um litígio entre o privado, a Câmara e o dito Instituto por causa de deixar ou não deixar construir a tal moradia, com a óbvia consequência de ter de ser demolida uma parte substancial de um monumento histórico.

Não sei se coisas deste tipo se passam só em Portugal, mas até isso para mim é secundário.

A primeira coisa que me apetece perguntar é como é que é possível que um terreno, adjacente, incorporado, circundante (tanto me faz) de um monumento histórico esteja sob domínio privado?

A segunda pergunta é saber se as pessoas ou instituições que tutelam estas coisas percebem alguma coisa daquilo que fazem ou deveriam fazer.

Não sei, estou só a perguntar.

É que, neste país já nada me espanta, alguém (presumo eu responsável ou representante da Câmara Municipal) veio dizer que se está perante um problema muito complicado dado não ser possível atingir direitos adquiridos (atenção, agora estamos a falar dos direitos do privado) uma vez que já existe um licenciamento autorizado.

 

Mas que raio de país é este?

Embora o exemplo comparativo não seja o melhor, atrevo-me a perguntar:

-Então em Portugal não existem direitos adquiridos de milhões de pessoas que toda a vida trabalharam, em grande parte dos casos em benefício do Estado, e que de um momento para o outro vêem as suas regalias e remunerações serem atingidas sem dó nem piedade, em nome da preservação de uma “porcaria” chamada défice orçamental (que ainda por cima nos é imposta de fora), e existem esses mesmos direitos adquiridos para um privado qualquer, que supostamente terá muito dinheiro, e que se propõe construir uma moradia de luxo num sítio onde está um monumento que é, ou deveria ser, património nacional?

 

Sou obrigado a relembrar aqui uma frase de um discurso do Primeiro Ministro Sá Carneiro, proferido na Assembleia da República quando da apresentação do Programa do Governo, e que há tempos transcrevi num artigo publicado no blogue “A Muralha”.

Entre outras coisas disse ele o seguinte:

-Aos cidadãos o Estado deve dar mais em troca do que lhes pede, ou pedir menos do que aquilo que está em condições de reciprocamente lhes dar.

 

Acho que nem é preciso dizer mais nada.

As perguntas que agora caberiam fazer, deixo-as à imaginação, à dúvida, ou se calhar às certezas, de quem isto ler.

Pobre país este.

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:01

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Sábado, 26 de Maio de 2007

"Jamais, Jamais"

Não vale a pena insistir muito.

O sábado não é o melhor dia para se escrever uma crónica.

O meu computador enviou-me um SMS dizendo que também tem direito a gozar o seu fim de semana.

Nestas coisas até que nem sou esquisito.

Deveria haver uma lei qualquer que determinasse o fim de semana dos computadores.

Nem que fosse só um fim de semana a meio tempo.

E já agora também os feriados, pontes, férias, isso tudo.

Além de que hoje é capaz de ser o dia mundial de qualquer coisa.

Só faltava ser o dia mundial dos computadores.

É melhor pôr isto offline.

 

Ainda tentei convencê-lo a mudar de ideias.

Retribuí-lhe o SMS mostrando a utilidade de se disponibilizar para um pequeno artigo hoje.

 

Respondeu-me de tal forma que até parecia um ministro:

-“Jamais”, “Jamais”.

 

Quem sou eu para desmentir o meu computador?!...

 

Ah…mas surge aqui um problema…

 

O ministro do “Jamais, Jamais” está furioso, ofendido, e sei lá que mais.

 

Parece que Marques Mendes terá comentado que o ministro do “Jamais, Jamais” não deve estar bom da cabeça ao ter dito que a margem sul do Tejo é um deserto.

 

O ministro considera isto palavras insultuosas.

 

Só pode ser por um motivo:

-A margem sul do Tejo é um deserto?

 

“Jamais…Jamais,”.

 

publicado por H. Dias Pedro hdp às 03:04

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

"Assuntos Sérios"

Pronto…

Fica prometido que não vou contar nenhuma anedota.

Até porque contar anedotas hoje em dia em Portugal…é perigoso.

Aqui só se fala de assuntos sérios.

Vamos a eles.

 

Afinal a Delphi não vai despedir ninguém.

Ou melhor…despede 500 trabalhadores na Guarda, mas emprega 200 outros em Castelo Branco.

Disse o Senhor Ministro da Economia, e quem sou eu para duvidar.

 

Mas a própria Delphi veio dizer que não senhor, quem é que inventou tal coisa?

E os sindicatos vieram dizer que esses cerca de 200 postos de trabalho em Castelo Branco já estavam criados.

Pronto…está bem.

 

Quanto à história da piada do professor Charrua, a Senhora Ministra da Educação veio dizer que não tem motivos para duvidar do funcionamento da DREN.

Pronto...está bem.

O Governo diz que as progressões nas carreiras ficam congeladas até 2009.

Também, que importância tem isso, se neste país anda tanta coisa congelada, a começar pela qualidade de vida das pessoas?

Mas os sindicatos protestaram, vieram a público pôr em causa os critérios do Governo.

Chegaram a falar em “terrorismo negocial”.

E, no curto espaço de um par de horas, alguém em nome do Governo vem dizer que, não senhor, não é 2009.

É em 2008, isto é, as progressões poderão ocorrer já em 2008.

Bem…precisando melhor…lá para finais de 2008, quer dizer, à beira de 2009.

Pronto…está bem.

 

Já ontem aqui falei da história do deserto da margem sul.

Vi e ouvi o que o Senhor Ministro das Obras Públicas disse.

Afinal…não senhor…vem ele dizer que não foi isso que disse.

O Governo até veio dizer que isto é um episódio artificial.

Mas o que ele disse, ou melhor, o que eu pensava que ele disse sobre a margem sul, provocou por aí uma onda de indignação.

Desde Presidentes da Câmara até praticamente toda a oposição.

Ah…mas surgiu um dado importante.

O Dr. Almeida Santos, pessoa de reconhecidas qualidades, veio a público defender aquilo que eu pensava que o Senhor Ministro tinha dito, usando uma expressão do género:

 

-O Sul do País tem um defeito.

É que para se passar para o Norte são necessárias pontes.

Já viram o que pode acontecer se houver um acto terrorista que dinamite uma ponte?

 

Bem…pergunto eu que não percebo nada disto:

-Se houver um acto terrorista que dinamite um aeroporto para que é que servem as pontes?

 

Pronto…está bem.

 

E agora, que já falei de assuntos sérios, posso contar uma anedota?

Era sobre o PS, O Governo, António Costa, a Câmara de Lisboa…

Hem?

Não posso contar?

 

Pronto…está bem.

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:13

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

As Pérolas Dos Cromos Da Desinteligencia Que Temos

Ainda por cima hoje é uma data péssima, um dia em que, há poucos anos, perdi um pouco de mim mesmo, com a morte de um homem que, se outra qualidade não tivesse, e tinha muitas, teve a mestria e a arte de me ajudar a ser homem, de me ensinar os valores da vida, da integridade, da seriedade.

Faz hoje anos que morreu o meu Pai.

Um grande beijo para ele.

E até por causa disso a minha capacidade de tolerância para a asneira não está hoje ao seu melhor nível.

Cada vez mais me convenço que já não há lugar a quaisquer dúvidas: este país só tem crâneos.

 

Entre outras pérolas políticas que têm sucedido, como aquela de um Senhor Ministro dizer na China que os chineses devem investir em Portugal porque é um país de mão de obra barata, ou seja, com baixos salários…

Aquela outra pérola de já não ser possível dizer uma piada em privado, porque é grande o risco de se apanhar um processo disciplinar…

 

Tivemos ontem uma pérola raríssima.

 

O senhor Ministro das Obras Públicas nem quer ouvir falar de outra coisa que não seja a Ota. O homem parece obcecado, vá-se lá saber porquê.

A margem sul do Tejo para instalar um novo aeroporto nem pensar porque:

-é um deserto

-não tem cidades

-não tem gente

-não tem hospitais

-não tem hotéis

-não tem indústria

-não tem comércio

-não tem escolas

-não tem nada

Logo, não pode ter aeroporto.

 

Ora bolas…

E eu que pensava que uma das principais preocupações de um Ministro, e de um Governo (atenção, qualquer ministro de qualquer governo) deveria ser combater as assimetrias e desigualdades entre as várias regiões do país.

Eu a pensar que é obrigação de um Governo (se sente que num determinado ponto do país há fragilidades deste tipo) criar as condições necessárias para fixar populações, propiciando a criação de empreendimentos, o desenvolvimento económico, o bem estar das gentes, a desconcentração de poderes nas grandes cidades, etc…etc…etc…, afinal eu estou enganado.

A obrigação do Governo é exactamente a inversa, isto é:

-aquilo ali é um deserto? Para ali não vai nada, não há investimento, deixa-se cair de podre numa morte lenta de desinvestimento político e social.

Os poucos que lá vivem…que se aguentem.

Grandes obras? Aeroportos?

Só onde já existe muita coisa, os hospitais, os hotéis, a indústria, e por aí fora.

Com uma pérola  destas será que os portugueses ainda precisam de contar anedotas?

 

Há cerca de duas semanas escrevi neste mesmo espaço que o meu entendimento é exactamente o inverso.

Deve criar-se e construir-se onde há escassez de recursos virados para o desenvolvimento.

Isto para não voltar a discutir aquilo que me parece óbvio, e aqui já disse mais do que uma vez.

Precisamos tanto de um novo aeroporto na Ota, ou genéricamente em Lisboa, como os esquimós precisam de auto estradas.

 

Então e o Senhor Ministro sabe que (diz ele, porque até parece que isso não corresponde à verdade) a margem sul do Tejo é um deserto, e ele não fica preocupado?

Não tenta fazer nada, apresentar uma proposta, seja o que for, para inverter essa tendência?

 

Ainda brinca com a situação?

Não admira…

O mesmo senhor há muito pouco tempo, num discurso público, brincou, numa forma que considero de muito mau gosto, com a estafada questão da licenciatura do primeiro ministro, provocando uma gargalhada geral na assistência.

 

Lá estou eu outra vez: coitado deste país…

Se o meu Pai fosse vivo provavelmente diria:

Uma pessoa assim, que brinca com coisas sérias, e quer fazer de nós parvos?

Não é uma pérola.

É um cromo.

 

Quinta-Feira: O Direito à Inocencia em “Concreto e Imaginário”.

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:07

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

2ª. Edição desta Quarta-Feira

Eh...pá...
Não me peçam mais para contar anedotas, hem?!...
Olhem o que aconteceu ao professor do Norte.
Safa...
publicado por H. Dias Pedro hdp às 01:17

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O Baile das Dinastias e...Contar piadas? Livra...

É fácil de perceber como se faz uma dinastia.

Haja um rei ou uma raínha que se deixem matrimoniar com uma raínha ou um rei, façam descendência como deve ser, criem à sua volta uma aura de creditação genealógica de indiscutível nobreza, e eis como a partir daqui a dinastia se impõe a todos os sucessores, queiram eles ou não queiram.

As Dinastias Monárquicas têm, além desta, outras regras.

E têm indiscutivelmente outro simbolismo e importância no imaginário e fidelidade dos respectivos povos.

 

Mas além das Monárquicas há mais dinastias.

E até mais plebeias e simplórias.

Curiosamente há um país, tido como a pátria símbolo da defesa da liberdade e da igualdade de oportunidades, onde nos últimos tempos se têm visto alguns sinais de querer eternizar o poder nas mãos de uma ou duas famílias, assim investidas na figura institucional de autenticas dinastias cujo desígnio é exclusivamente a manutenção do poder.

 

Estou a falar dos Estados Unidos da América.

Começa a existir uma ligeira tendência para a criação de uma nova figura, a dinastia democrática e republicana, em que, com um pequeno intervalo de anos, e normalmente não mais que um mandato presidencial, a cadeira da famosa sala oval volta a ser ocupada, ou pelo menos tem um candidato com fortes hipóteses de lá chegar, e que pertence a uma família que já lá teve alguém instalado.

 

O primeiro exemplo tem um nome: Kennedy.

 

Além de John Kennedy, presidente tragicamente assassinado em Dallas, houve o caso do seu irmão, Bob Kennedy que, já candidato à presidência, e com fortíssimas possibilidades de vitória, morre em plena campanha, também assassinado com um tiro.

 

Edward Kennedy, o irmão mais novo, resistiu sempre à tentação de se candidatar a presidente, mas manteve o seu papel de influente senador na política americana.

 

De seguida vem outro nome: Bush.

Primeiro Bush pai, George Bush, presidente americano para sempre ligado à famosa guerra do golfo, ainda assim com uma imagem salvaguardada pelos reduzidos traumas que a sua acção causou junto dos americanos.

Depois George W. Bush, o filho, que nunca conseguiu que os americanos  se desligassem da imagem do Bush pai, e fica para sempre ligado à história mal contada das armas de destruição maciça e à guerra do Iraque.

 

Mas isto hoje não pretende analisar as maiores ou menores qualidades de qualquer presidente americano.

 

A questão são as dinastias, e eis que na América surge outro nome dinástico: Clinton.

 

Bill foi um presidente simpático, mas muito marcado pelo episódio Mónika, apesar do qual os americanos o têm, ao que parece, em boa opinião.

E como tal, eis que surge Hillary Clinton, a mulher de quem se dizia ser autora dos discursos do marido quando foi presidente.

Vai ser ela, ao que tudo indica, a candidata democrata nas próximas presidenciais americanas.

E com a garra e mesmo a competência política que aparenta, corre o sério risco de se tornar presidente dos States.

A contradição será Clinton passar a ser o nome da terceira dinastia de poder no país da liberdade.

Se calhar um mero sinal dos tempos.

Mas há mais sinais dos tempos...

Cuidado meus amigos...já não se podem dizer piadas ou contar anedotas aos colegas.

Se isto já era um país tristonho...então agora...

 

publicado por H. Dias Pedro hdp às 00:03

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